Filosofia

Sobre a PÁSCOA

imageEste domingo os cristãos celebram a sua festa religiosa mais antiga, a Páscoa. Em espanhol chama-se Pascua, em francês Pâques, em italiano Pasqua, em russo Paskha, em sueco Påsk, em holandês Pasen, tendo todas estas palavras uma origem comum, a palavra latina Pascha, do grego koiné (bíblico) Paskha, que por sua vez vem da palavra hebraica Pesah. Já o conceito em alemão diz-se Ostern e em inglês Easter, portanto, com uma origem etimológica diferente.

Voltando ao conceito hebraico, o que significa Pesah? Literalmente significa “passar”, “saltar”. O segundo livro da Bíblia, o Livro do Êxodo, narra o cativeiro do Povo de Israel no Egipto. O Faraó não queria deixá-lo partir, pelo que Deus enviou dez pragas sobre o Egipto. Enviou, por exemplo, uma praga de gafanhotos e chuvas torrenciais de granizo, que assolaram todo o país, dizimando o gado, que era um elemento fundamental da agricultura e da subsistência do povo. A décima praga era ainda mais cruel: o primogénito de cada família devia morrer. Mas, para perdoar a vida ao povo escolhido, Deus envia uma mensagem aos Hebreus: cada família deve sacrificar um cordeiro e marcar as suas portas com o sangue do animal. Quando o anjo exterminador viesse, executaria os primogénitos das casas sem esta marca. Quando o Faraó, horrorizado, se dá conta que Deus perdoa a vida do povo judeu, deixa-os, por fim, partir. Desde então, Pesah, “Passagem”, é o nome da festa que na Primavera comemora a libertação do povo judeu. E Pesah é a origem da festa cristã da Páscoa. Porquê? Porque segundo os Evangelhos, a Última Ceia (Santa Ceia) de Jesus com os seus discípulos, teve lugar durante a Pesah, festa que Jesus celebrava já que era judeu. Como se sabe, foi durante a Última Ceia que Judas traiu Cristo. A Santa Ceia marca assim o início da Paixão de Cristo que culminaria na Ressurreição.

img_0017A festa cristã da Páscoa, que comemora a ressurreição de Cristo, coincide, mais ou menos, com a Pesah, razão pela qual não só toma o seu nome e o latiniza Pascha, mas também toma o simbolismo judaico do cordeiro. Para os cristãos, o cordeiro sacrificado que liberta com o seu sangue a humanidade é, simplesmente, Jesus. Quanto aos conceitos anglo-germânicos Easter e Ostern, não tem nada a ver com esta raiz hebraica. Hoje os linguistas encontram sentido na primeira sílaba “East” e “Ost” que significam literalmente “Este” (ponto cardeal), o ponto onde nasce o sol. Assim, não há nada mais simbólico do que festejar uma ressurreição.

Hélder Filipe Azevedo, dia 27, do mês de Março, do ano de 2016.

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