POESIA: TEÓGNIS (séc. VI-V a.C.)

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TEÓGNIS foi um poeta que nasceu em Mégara, uma polis da antiga Grécia, sendo, junto com Píndaro, o único poeta do século VI-V a.C. cuja obra (fragmentos) chegou aos nossos dias de forma direta e não por meio de citações. Pertencia à aristocracia e era considerado um homem grave, rígido e rabugento. A sua poesia são reflexões morais cantadas e pensamentos sobre os mais diversos atributos da natureza humana. Nestes dois poemas que aqui deixo – Democracia e O Dinheiro – fica explícita a visão áspera e pessimista do autor, nomeadamente sobre o povo e a forma como este se rege pela ingratidão e pela ambição desmedida pelo deus dinheiro. Um poeta muito interessante e tremendamente actual.

DEMOCRACIA

Esmaga com teu pé o povo insensato, fere-o

com a ponta do aguilhão e põe-lhe na cabeça um jugo pesado.

Entre os homens que o sol do alto contempla, ninguém acharás,

de facto, tão amigo da escravidão como o povo.

O DINHEIRO

Meu caro, sejamos amigos, mas de longe;

de tudo nos cansamos, menos do dinheiro.

*

Todos respeitam o rico, desprezam o pobre;

é um sentimento comum a todos os homens.

Fonte: Antologia da poesia grega clássica. Tradução e notas complementares de Albano Martins. Edições Afrontamento, Porto: 2011.
Licenciado em Filosofia pela Universidade do Minho. Pós-graduado em Ética e Filosofia Política pela Universidade Católica Portuguesa. Pós-graduado em Direitos Humanos pela Universidade do Minho. Licenciando em Direito pela Universidade do Minho.

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