GERMANOFILIA: Apadrinhamento de honra

largeSaudações!

Na Alemanha existe um costume – acolhido em lei – que permite ao sétimo filho de um casal – sete filhos do mesmo pai e da mesma mãe – ser apadrinhado pelo Presidente da República Federal.

Como estipulado pela lei alemã, os pais vão ao registo civil para declarar o nascimento do filho e aí a secretária pergunta: Quer que o padrinho do seu filho seja o Presidente da República? Habitualmente, as pessoas desconhecem esta lei e ficam surpreendidas por serem escolhidas para tal apadrinhamento. Mas afinal, a que se deve essa honra? Então é-lhes explicado que na Alemanha, o sétimo filho de uma família pode ser apadrinhado pelo Presidente. A condição para tal é que a criança seja alemã, os seus irmãos estejam todos vivos, e que sejam do mesmo pai. Em caso de parto múltiplo, todos os bebés serão apadrinhados. Um filho adoptado também pode ser apadrinhado. Se os pais recusarem essa honra ao sétimo filho, podem aceitá-la ao oitavo, nono ou décimo filho. O formulário existe na página web da República e basta acrescentar-lhe o registo de nascimento. Envia-se a petição para a administração da presidência, que se encarregará de verificar se a criança cumpre todos os requisitos. Associados a esta lei estão direitos e deveres: por um lado, o Presidente da República tem o direito de visitar o seu afilhado, por outro lado, conceder-lhe-à um cheque de 500 Euros. Convém salientar que este procedimento não é religioso, mas apenas simbólico, ou seja, é um acto que visa valorizar a família e as crianças e, também, premiar a fecundidade. Em teoria, o Presidente será padrinho daquela criança até à morte, mas na prática tudo se resume a um certificado e um cheque. Caso o afilhado precise de alguma audiência com o Presidente, convém salientar que têm prioridade sobre todos os demais.

É um costume um tanto ou quanto bizantino, mas é daquelas “extravagâncias” com as quais os alemães convivem bem!

Em Portugal, pelo contrário, um costume deste género estaria votado ao fracasso, precisamente porque não acredito que alguém quisesse para padrinho do seu sétimo filho um sujeito como, por exemplo, Cavaco Silva. Isso seria um motivo mais de vergonha do que uma honra. Isto acontece não apenas pela figura em causa, mas porque aqui existe o costume do apadrinhamento com uma forte vocação familiar e religiosa. Seria quase profano um desconhecido ser padrinho de um filho. Isso poderia ser visto como uma futilidade ou um mero exercício de vaidade.

Num próximo post sobre a Alemanha, tentarei explicar o que é o Kirchensteuer e de que modo o pagamento deste dízimo em forma de imposto seria inaplicável em Portugal.

© Hélder Filipe Azevedo, 2016.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s