Filme da semana: TIMBUKTU

TimbuktukTimbuktu é um filme de Abderrahmane Sissako (Mauritânia, 1961- ), de 2014, vencedor de 7 prémios César, nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2015, e teve, ainda, uma estreia aclamada no Festival de Cannes.

Timbuktu é a capital do Mali, património mundial da humanidade desde 1988 e considerada, para muitos, um farol espiritual e intelectual de Africa. Aqui residia uma vibrante e criativa sociedade, produto de uma história milenar, que aprendera o sentido da multiculturalidade, da paz e da tolerância.

Em 2012 a cidade é ocupada pelo autodenominado Estado Islâmico (Daesh) e a Sharia (predicações do Profeta Muḥammad) passa a ser a única fonte de direito. O poder passa a ser executado de acordo com a interpretação e a vontade dos fundamentalistas islâmicos, transformando o quotidiano e a vida numa experiência radical e cruel. Neste contexto, passa a estar proibido o riso, a música, o futebol, o tabaco, toda e qualquer liberdade ou autonomia feminina e entra-se assim numa era de profunda castração. Não há espaço para a humanidade, todos se transformam em escravos de um profeta que partira há mais de 1300 anos. Há proibição, resistência e tragédia.

O filme, para além dos planos magníficos, traz-nos uma mensagem importante: há que lutar e superar todo e qualquer poder de dominação totalitária. Essa é uma obrigação moral de todos aqueles que acreditam nos valores humanistas e nos direitos humanos. Pelo meio há, como em toda a história do mal, uma luta de cobiça e de amor.

Nota: 9/10

® Hélder Filipe Azevedo, 2016

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