Der Staat gegen Fritz Bauer (filme)

538851DER STAAT GEGEN FRITZ BAUER, Alemanha, 2015, 105min. https://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpg

O título original, em alemão (Der Staat gegen Fritz Bauer), significa – au pied de la lettreO Estado contra Fritz Bauer. Os países anglófonos traduziram como, “The People vs. Fritz Bauer“, qualquer coisa como “O Povo contra Fritz Bauer“, que tem muito a ver com a forma jurídica, procedimental, como os casos chegam a um tribunal para serem julgados, onde o tribunal é considerado, de facto e em todos os sentidos, como o representante do povo na administração da justiça. Em Portugal optou-se, erradamente a meu ver, por titular o filme como “Fritz Bauer. Agenda secreta“, ou seja, os italianos têm razão quando afirmam que “traduttori, traditori“, isto é, “tradutor, traidor”, precisamente porque a má tradução do título da obra, acaba por atraiçoar e desvirtuar a própria obra.

Aparte esse pormenor, devo considerar que este é, sem dúvida alguma, um dos melhores filmes do ano. E como de costume, passou completamente despercebido nos cinemas nacionais.

Logo a abrir somos colocados face-a-face com o Doutor Bauer, o verdadeiro não o personagem, por intermédio de uma palestra televisionada, que o mesmo dá enquanto Procurador Geral da República Federal da Alemanha. Diz-nos o jurista:

Hoje a Alemanha orgulha-se do seu milagre económico. Também se orgulha de ser a pátria (Heimat) de Goethe e Beethoven. Mas, a Alemanha, também é a pátria de Hitler, Eichmann e dos seus muitos aliados e seguidores. Mal tal como o dia é compreendido entre o dia e a noite, a história de cada povo, também tem o seu lado claro e escuro. Creio que a geração mais jovem da Alemanha está preparada para conhecer a história da Alemanha e toda a verdade. Algo que os seus pais, por vezes, têm dificuldade em confrontar.

É preciso, no entanto, biografar Fritz Bauer. Nasceu a 6 de Julho de 1903, em Stuttgart. Filho de pais judeus da classe média-alta, estudou Direito, tendo sido o doutorado mais jovem a ser nomeado magistrado no Reich alemão. Em 1933, com a ascensão dos nazis ao poder, foi detido num campo de concentração, tendo sido libertado depois de se ter submetido ao novo poder, por intermédio de uma declaração de lealdade. Emigrou (exilou-se) para a Dinamarca e para a Suécia, vivendo aí algumas experiências homossexuais que viriam, mais tarde, a causar-lhe alguns dissabores. Não nos podemos esquecer que o famoso parágrafo 175 do código penal alemão (§175 StGB), que criminalizava a relações homossexuais, manteve-se em vigor até 1994. Voltando à sua Alemanha em 1946, terminada a guerra, foi readmitido como Procurador da República tendo iniciado aí a luta da sua vida, nomeadamente a perseguição aos criminosos de guerra nazis, que haviam sido protegidos pelo governo de Adenauer, defendendo Bauer a necessidade de os levar a julgamento. A sua luta não foi totalmente cumprida. Fritz Bauer morreu a 1 de Julho de 1968.

Este magnífico filme segue três propósitos essenciais: primeiro, mostrar um homem, judeu e alemão, que acreditava acima de tudo na justiça e na democracia, e que pretendia regenerar todo um povo que havia caído na indigência moral; segundo, demonstrar que, em certas circunstâncias, a humanidade e o direito natural deve prevalecer sobre a nacionalidade e o direito legalista ou civil; finalmente, o filme pretende invocar aquelas histórias comuns, particulares, que se perdem no tempo, mas que foram vítimas de humilhações, de dor e sofrimento. O Doutor Bauer pretende aí demonstrar que mesmo em democracia, mesmo numa sociedade que garante liberdades fundamentais, existem sempre pessoas que pela sua natureza e pela sua condição social minoritária, sofrem preconceitos, injustiças e censura sem fundamento.

Este é um filme que toda a gente deveria ver. É um documento poderoso que, em tempos tão sombrios, nos faz acreditar na natureza humana. Nota 10/10

© Hélder Filipe Azevedo, 11.VIII.2016

 

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