Livro: Rasputine, uma vida curta.

1507-1Rasputine, uma vida curta, é uma pequena biografia (220 páginas, publicada pela editora Estação Imaginária, em 2015) de Grigori Rasputine, um dos personagens mais enigmáticos e controversos do período final da Rússia czarista. Um homem analfabeto, que não sabia ler, nem escrever, nem sequer contar, e que chegou, por caminhos turvos, a controlar a Rússia do Czar Nicolau II. Rasputine tinha um dom místico, a capacidade de usar a hipnose, através do qual conseguia aliviar algumas doenças femininas da época (histeria, neurastenia, etc) e conseguia, principalmente, aliviar o Príncipe Alexei, herdeiro aparente do trono russo, e que era hemofílico, por herança da sua bisavó, a Rainha Vitória de Inglaterra. Como era o único homem na Rússia que conseguia resolver os problemas associados à hemofilia do Czarevich Alexei, tinha uma completa dominação sobre Nicolau II e a czarina Alexandra Feodorovna. Imbuído numa teia de aproveitamentos e de conspirações, Rasputine conseguiu enriquecer, ter muito poder e, por decorrência, satisfazer os seus nada discretos e comedidos ímpetos sexuais. Era considerado um monge siberiano, mas na verdade era um campónio deslumbrado pelo poder do acaso, um “si banal et si odieux” como o definiu Purishkevich, o seu presumido carrasco. Conta-se que era também um vidente, que conseguia prever o futuro, mas que era incapaz de conhecer factos históricos perfeitamente acessíveis a qualquer letrado. Quando, certa vez, lhe mostraram a fotografia de Karl Marx, Rasputine deslumbrou-se com a figura, tecendo-lhe os maiores elogios, querendo inclusive, conhecê-lo pessoalmente. Ora, Marx tinha morrido há mais de 30 anos! Era um homem que previa o futuro mas desconhecia o passado! Aparte tais pormenores, deve-se salientar a imensa influência que detinha sobre os monarcas russos e as imensas inimizades que cultivou, a tal ponto que foi assassinado, ainda se desconhecendo hoje os reais autores do homicídio. Para a história fica uma espécie de caricatura que apenas desvirtua a existência de um homem que conseguiu viver uma trama notável. O homem sepultado no Neva teria dito certa vez: “Com Deus no pensamento mas com a humanidade no corpo” e isso definira perfeitamente toda a sua conduta e toda a sua tragédia!

Uma leitura muito agradável e bem documentada, da autoria da jornalista e romancista britânica Frances Welch.

© Hélder Filipe Azevedo, 05.IX.2016

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