Filme: Antes que Anoiteça

before_night_falls_posterAntes Que Anoiteça, EUA, 2000.https://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpg

Before Night Falls (no original) é uma adaptação ao cinema da obra autobiográfica do escritor cubano Reinaldo Arenas. Realizado por Julian Schnabel, em 2000, o filme conta com os desempenhos fabulosos de Javier Bardem e Johnny Depp. Passou pelos mais importantes festivais de cinema, tendo arrecadado cerca de quinze prémios, incluindo o Grande Prémio do Júri do Festival de Veneza. Apesar disso, passou injustamente despercebido no mercado nacional, tendo saído, na altura, em DVD na colecção Y do jornal Público.

Reinaldo Arenas (1943-1990) foi um poeta, escritor e dissidente cubano, homossexual, que, pela mão dos grandes escritores José Lezama Lima e Virgilio Piñera, se tornou uma referencia nos círculos intelectuais de Havana na década de 60. Alguns poucos anos após a revolução, viria a ser perseguido pelo regime castrista, devido não só à sua condição sexual, mas igualmente pela sua escrita, considerada libertária, reacionária e totalmente subversiva.

O escritor nasceu numa família pobre, filho de uma mãe neurótica e de um pai incógnito, numa casa de muitas mulheres – a avó, a mãe, as tias solteiras, as primas e afins – cresceu num ambiente de extremos, onde no lugar dos bens materiais abundava a liberdade e o sonho, tendo aí colhido muito do material com que viria a cimentar as suas obras. Em 1967, com o seu primeiro conto, Celestino antes da madrugada, escrito num realismo mágico ainda incipiente, recebeu uma menção honrosa do Sindicato de Escritores Cubanos, quando já aí merecia o primeiro prémio. Não lho foi dado por uma questão política. Essa foi, aliás, a primeira e única novela que publicou na sua ilha natal. Foi claramente um escritor perseguido e censurado. O Mundo Alucinado, por exemplo, fora enviado clandestinamente para França, onde viria a ser publicado e premiado, em 1969.

Numa armadilha do regime, chegou a ser preso, torturado e enviado para campos de concentração, onde cumpriu trabalhos forçados. Passou pela privação do sono, pela fome, pelas humilhações permanentes, por diversos castigos físicos e morais, que jamais ousou perdoar e esquecer. Não teve descanso na vida. Sobreviveu graças à sua capacidade de resistência em ambientes adversos, sempre por intermédio da sorte e da escrita.

Já doente com HIV, terminou com a sua vida em Nova York, deixando cartas aos seus amigos e à imprensa, como adendas ao seu testamento, acusando Fidel Castro de criminoso, o único meliante responsável por todas as suas tragédias, que não foram poucas. Nunca perdoou ao regime o infortúnio que vivera e as amarguras que padecia. Não é que tivesse sido um apologista do regime de Fulgêncio Batista e também ele chegara a ser um iludido da revolução. Mas tudo correu mal, excepto a sua extraordinária capacidade de escrever.

Ainda vai durar algum tempo, mas Reinaldo Arenas entrará, sem sombra de dúvidas, no panteão do grandes escritores cubanos, ao lado de José Martí, Lezama Lima ou mesmo Alejo Carpentier, património cultural e intelectual de Cuba. Ambos, o escritor e o país, merecem essa reconciliação!

Tanto o filme como a autobiografia estão publicados em Portugal. Ambos são documentos extraordinários, experiências de vida que todo o ser humano deve conhecer, para seu próprio gáudio. Nota 10/10

© Hélder Filipe Azevedo, 10.ix.2016

 

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