Filme: A Batalha de Argel (1966)

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A Batalha de Argel, Itália/Argélia, 1966.https://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpg

A 1 de Novembro de 1954 inicia-se a chamada Batalha de Argel. A FNL (Frente Nacional de Libertação), comandada por ideólogos que iam desde o nacionalismo islâmico até ao socialismo de inspiração marxista, lança uma mensagem de rebelião contra a opressão e o domínio francês. Era hora da Argélia ser devolvida aos argelinos, gritava o povo. O filme documenta esses dias febris onde se travou uma terrível e trágica luta de poder. Dois lados traçam o cenário de guerra: os franceses, dominantes pelo poder militar, ávidos de preservar o poder colonial, conjugam a implementação de um sistema de delação por meio de torturas cruéis, com as violações sistemáticas dos direitos humanos mais fundamentais; do outro lado, os argelinos iniciam aí muitas das tácticas terroristas que conhecemos hoje, tais como os atentados indiscriminados, a tomada de reféns, uma propaganda completamente alienante, e a imposição de códigos de sujeição com base na lei maometana. Ainda hoje não sabemos se se tratou, verdadeiramente, de uma luta pela libertação e emancipação do povo ou apenas um luta pelo poder dictatorial, de dominação social. A verdade é que três anos mais tarde, e após uma dança dialéctico-repressiva, com ênfase na profunda arbitrariedade e no uso excessivo da força por parte das tropas francesas, que resultaram inclusive na morte dos principais líderes da FNL, emergiu espontaneamente nas ruas de Argel, gritos de libertação, gritos pela independência da Argélia. O povo não tinha mais nada a perder, queria respirar os ventos da liberdade ou apaziguar os espíritos tormentosos que lhes povoava a mente. O filme termina aí, nesse movimento histórico, que, compreendemos agora, jamais poderia ser parado. A Argélia, essa terra de onde Santo Agostinho era originário, entraria finalmente nos trilhos do seu próprio destino, sem amarras…ou melhor, sem amarras estrangeiras. Talvez tenha-se libertado de um carrasco para os braços de um suserano, igualmente desejoso de oprimir.

Leão de ouro no Festival de Veneza e nomeado para os Óscares nas categorias de Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Realizador e Melhor Argumento Original, este é um dos chamados filmes políticos que mais realismo transporta para o espectador. É uma obra fundamental tanto para os simples cinéfilos como para aqueles que, sem o serem, querem compreender os tumultuosos tempos em que vivemos.

🍂Nota 10/10

© Hélder Filipe Azevedo, 11.10.2016

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