O Ornitólogo (filme), de João Pedro Rodrigues

ornitologo

O Ornitólogo, Portugal, 2016.https://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpg

O conceituado realizador português João Pedro Rodrigues apresenta-nos, com O Ornitólogo, um filme idealista com um enfoque claramente teológico e escatológico.

Se com O Fantasma, havia uma visão puramente mundana, ligada aos elementos constitutivos primários do ser humano, como os desejos, o sexo ou o trabalho, e depois com Odete havia uma continuidade para o tema da morte, da perda e da diluição do ser vivente, aqui o realizador decidiu conjugar um Adão no paraíso com os ideais de reencarnação e ressurreição. Há um retorno a uma espécie de panteísmo da primeira modernidade, onde a trilogia Deus-Homem-Natureza (θεος, Ανθρωπος, Φυσις) imperava como sistema rígido. Deus sive natura, já havia proclamado Espinoza no século XVII. Neste filme visualmente belo, procura-se na simplicidade das aves, na solitude dos rios e na imponente serenidade das árvores, a manifestação de uma divindade perdida e esquecida. Procura-se nos amores e na contemplação as complexidades e múltiplas faces do divino. Procura-se também na noite a mão pesada do criador. Procura-se, enfim, um sentido para viver e para morrer, nem que seja um sentido delirante e desconexo.

O filme começa com uma citação sobre o espírito, a partir de uma homilia de Santo António em Forli. Como um alerta, os sinais multiplicam-se. O som desperta-nos como um chamamento, para presenciar uma tentativa de chegar ao absoluto por intermédio da simplicidade da natureza. Ora, como bem se vê, a natureza aparenta aquilo que não é. O devir existencial esconde domínios e estruturas que o ser humano não domina nem conhece. Nessa viagem de Adão no paraíso, onde não faltam os símbolos da teologia cristã – como a macieira, a pomba branca, os anjos abrindo a tumba, etc. – há espaço igualmente para o mundano que se pretende sacralizar. Por isso terminamos com a imagem de um reencarnado e de um ressuscitado dançando de mãos dadas em Pádua, numa concepção surrealista da espiritualidade. Um filme curioso!

Visto no dia 29.10.2016, no observatório de cinema “Close-up”, na Casa das Artes, em Vila Nova de Famalicão.

© Hélder Filipe Azevedo, 2016

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