TRIBUNAL (filme), 2014

tribunal

TRIBUNAL, Índia, 2014.https://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpg

Court (no original) é um filme indiano, de 2014, dirigido por Chaitanya Tamhane, e que, além de ter sido o candidato oficial do país aos Óscares da Academia, venceu em alguns importantes certames internacionais.

Começa com um poeta/professor proferindo numa praça um poema cantado que falava da “humanidade que está na sua jaula, queimando-se e desintegrando-se”, um lugar inabitável onde se “esquecem dos bons e se louvam os inúteis”. A partir daqui, a trama desloca-se para um tribunal indiano onde o nosso poeta, Narayan Kamble, é acusado pelo Estado (polícia) de ser responsável pela morte de um pobre operário mineiro que havia sido encontrado morto e que testemunhas afirmavam ter-se suicidado incitado pelos poemas de Kamble.

O filme passa então a acompanhar a vida das quatro figuras fundamentais da trama, representativas, cada uma na sua distinta dimensão, da própria especificidade indiana. Acompanha o infortúnio do poeta que se vê enredado numa teia de especulação e abuso de autoridade. Acompanha a vida da advogada de acusação (equivalente ao nosso Ministério Público), uma burocrata sem grande profundidade intelectual mas que deseja progredir numa sociedade profundamente patriarcal. Acompanha também a luta do advogado de defesa, um penalista e defensor dos direitos humanos que luta contra uma sociedade que muitas vezes não compreende o alcance da lógica e da razão. E, finalmente, acompanha a vida do juiz do caso, um homem também ele produto de um sistema completamente arcaico e disfuncional.

O filme traz para o espectador uma perspectiva realista sobre as eternas questões sociais, como as questões de justiça e injustiça, a luta contra o autoritarismo e a perseguição policial, os direitos humanos, as desigualdades materiais, o absurdo enraizamento dos costumes e, também, o desequilíbrio entre um tempo que se devora a si mesmo e uma realidade que muitas vezes ultrapassa a ficção nos seus modos de ser.

Cerca de 120 minutos em que aprendemos muito sobre os outros, que podem não passar de nós próprios ao espelho.

Absolutamente fundamental! Nota 9/10

© Hélder Filipe Azevedo, 2016

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