Vita Activa: O Espírito de Hannah Arendt

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VITA ACTIVA: O Espírito de Hannah Arendt. Ada Ushpiz, Israel/Canada, 2015. https://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpg

WINNER – BEST DOCUMENTARY – SANTA BARBARA FILM FESTIVAL

Documentário fascinante, realizado por Ada Ushpiz, sobre a filósofa judia de origem alemã Hannah Arendt (1906-1975), uma das maiores pensadoras do século XX.

Este é, sem sombra de dúvidas, um dos filmes mais interessantes que veremos no presente ano. No essencial, o documentário compila um conjunto de gravações históricas, de entrevistas e opiniões sobre os temas fundamentais da vida – desde a sua infância, passando por Heidegger, seu amante, e Jaspers, seu mentor, até à sua velhice submergida num misticismo hebraico – e da obra da filósofa.

Hannah Arendt legou à humanidade do século XX em diante um pensamento profundo sobre as temáticas do poder, da história e do mal. Vale a pena conhecer um pouco do seu profundo e original pensamento. Também é uma forma de nos conhecermos a nós mesmos e ao estranho mundo que nos rodeia.

TOTALITARISMO E A BANALIDADE DO MAL

O mal é um fenómeno superficial. Resistimos ao mal não nos deixando arrastar sem pensar pela aparência da superfície das coisas convencionais. Por outras palavras: quanto mais superficial é uma pessoa, mais provável é que ceda ao mal. É essa a banalidade do mal.

O uso de lugares-comuns sinaliza essa mesma superficialidade.

A demência da manufactura massiva de cadáveres do nazismo foi precedida pela preparação histórica dos cadáveres vivos dos refugiados.

Cada ser humano é uma criatura que pensa, capaz de reflectir tão bem como eu, e é portanto capaz de julgar por si mesmo se o quiser fazer. Pensar significa sempre pensar de um modo crítico. E pensar de um modo crítico significa que o pensamento mina as regras rígidas e as convicções generalizadas.

full3Tudo o que se passa no pensamento pode ser escrutinado. Isto significa que não existem pensamentos perigosos, porque pensar é em si mesmo um empreendimento muito perigoso. Penso que o não pensamento é ainda mais perigoso.

O mal é sempre gerado pela necessidade, sem escolha, em nome do futuro.

O problema dos regimes totalitários não é o facto de jogarem à política do poder de um modo especialmente implacável, mas de, por trás da sua política, se ocultar um conceito inteiramente novo e enganador da realidade: o idealismo, é uma fé inabalável num mundo ideologicamente fictício, mais do que a mera luxúria do poder.

O mal é ideológico. Satã é ele próprio um idealista.

O mal não é apenas minucioso, é também sentimental.

A banalidade do mal é a estratégia perfeita para a penetração do mal no mundo.

A velha máxima: é melhor sofrer o Mal do que ser um agente do Mal, é verdadeira? Sócrates disse repetidas vezes que essa máxima não pode ser provada. Por um lado, é absolutamente evidente. Por outro, não há provas de que deva agir deste modo. Porque há então pessoas para quem se trata de uma máxima evidente? Esta máxima presume que eu vivo comigo mesmo, ou seja, que sou duas pessoas em uma, e digo a mim mesmo: “Não quero fazer isto”, porque não quero viver com alguém que o faz. Uma pessoa viver consigo mesma significa falar consigo mesma. É esta a base do pensamento, e é de facto uma forma de pensamento que não é técnica e de que qualquer homem é capaz.

full2Entrevistador: Não é verdade que a responsabilidade parcial que um indivíduo assume sepulta a consciência moral? Eichmann disse: “Sentei-me à minha secretária e fiz o meu trabalho.” E o antigo chefe de distrito de Danzig explicou que a sua alma oficial sempre se identificou com aquilo que fez, mas que a sua alma pessoal se lhe opunha. H. Arendt: É um fenómeno conhecido como a emigração interior entre assassinos. A actividade febril causa ela própria uma resposta de dissolução. Há uma frase idiomática em inglês: “Stop and think”, parar para pensar. Ninguém pode pensar sem parar. Quando alguém se vê obrigado a imergir em actividades constantes, ou se deixa escravizar por elas, a história repete-se. Haverá sempre uma situação que impede o despertar do sentido de responsabilidade. Este só pode despertar quando uma pessoa reflecte, não apenas sobre si mesma, mas também sobre o que está a fazer.

Temos de compreender que num regime totalitário se gera um fenómeno de desamparo. E temos de compreender que, mesmo quando uma pessoa está em desamparo absoluto, continua a haver diferentes possibilidades de reagir. Isto não significa que uma pessoa deva tornar-se criminosa. O tipo de passado que não pode ser deixado para trás é muito diferente entre vítima e perpetrador.

Eis um pensamento perigoso: Onde não há responsabilidade, não há culpa. Onde não há culpa, não há crime. Onde não há crime, não há vítima.

O perdão e a vingança pertencem um ao outro. Aquele que perdoa renuncia à vingança, porque também ele podia ser culpado. O vingador não quer perdoar, porque tem uma oportunidade de voltar àquilo que lhe foi feito. A reconciliação, no entanto, não perdoa nem aceita, antes julga.

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