Pierre Teilhard de Chardin: A Nostalgia da Frente

Pierre Teilhard de Chardin foi um importante teólogo francês do século XX. Nasceu em Sacernat, a 1 de Maio de 1881 e foi o quarto filho de uma família de onze irmãos. Entrou para os jesuítas em 1899 e estudou filosofia e teologia. Entre 1906 e 1908 foi professor de Física no Cairo, onde adquire um certo gosto pela geologia e paleontologia. Foi ordenado padre em Hastings, em 1912.

Entre 1914-18 é recrutado para a grande guerra, lutando na frente de batalha, inserido no 4º Regimento de Zuavos, com o posto de Sargento-enfermeiro. No fim da guerra é agraciado com a Medalha Militar e a Legião de Honra.

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Em 1922, doutora-se em ciências e exerce o professorado no Instituto Católico de Paris. A partir de 1923 começam as suas expedições um pouco por todo o mundo. Vai à China, à Somália, à Birmânia, à África do Sul e à Índia.

Em 1950 é eleito membro da Academia Francesa de Ciências. É-lhe oferecido uma cátedra no Collège de France, mas não aceitou. É nomeado então adido da fundação americana para investigações antropológicas. A partir de 1951 fixa-se em Nova Iorque, mas em 1953 parte numa segunda missão à África do Sul. No fim, passa dois meses na sua França natal.

Morre em Nova Iorque a 10 de Abril de 1955, no dia de Páscoa.

Na sua obra Escritos do Tempo da Guerra expões o seu existencialismo puro e um espiritualismo cósmico que permanece pouco explorado. A meio da obra escreve um capítulo intitulado A Nostalgia da Frente onde materializa no papel toda essa experiência radical que viveu na frente de batalha. Para se compreender o alcance dessa exposição, pode escutar, acima, uma recitação da introdução ao capítulo.

Citação:

“(…) a Frente permanece para mim o Continente, cheio de mistérios e de perigos, que surgiu no nosso Universo de reconhecida falsificação. Vislumbro-o sempre como a fronteira do Mundo conhecido, a «Terra prometida» aberta aos audaciosos, a orla de no man’s land… 

Aqueles que sofreram, até à morte, de sede ou de frio, não podem mais esquecer os desertos ou os bancos de gelo onde experimentaram o extraordinário inebriamento de estarem sós e serem pioneiros.”

Em 1956, já depois da sua morte, é feita uma recolha e uma compilação dos seus relatos de viagem. Recebeu o nome de Lettres de Voyage. Aqui somos levados pelos caminhos do mundo e da vida de um homem que ousou viver intensamente.

© Hélder Filipe Azevedo, 2017

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