Literatura

Emilia Galotti

Emilia Galotti

Emilia Galotti. Ein Trauerspiel in fünf Aufzügen.
Gotthold Ephraim Lessing

Emilia Galotti, uma tragédia em cinco actos, de Lessing, é uma obra do Aufklärung alemão (1772), desse iluminismo modificado que impunha sentimento, que combinava luzes e penumbra, racionalismo e afetos, sociabilidade burguesa e interioridade pietista!

É uma tragédia porque apela à piedade e ao temor, e onde o herói não é admirado mas lamentado!

Nesta obra magnífica, uma rosa foi colhida antes que a tempestade a desfolhasse (eine Rose gebrochen, ehe der Sturm sie entblättert)…! Sobra pouco, talvez a comoção da genialidade.

Emilia Galotti é uma obra prima da chamada Tragédia Burguesa Alemã (bürgerliches Trauerspiel) e uma leitura mais do que fundamental!

Michael Kohlhaas (1810)
Heinrich von Kleist

Michael Kohlhaas

Michael Kohlhaas

Uma obra literária fascinante, do poeta e romancista alemão Heinrich von Kleist (1777-1811), sobre um conto do século XVI envolvendo o sentimento de justiça extremo de um homem perante os abusos e as arbitrariedades dos nobres, num Sacro Império Romano-Germânico profundamente feudalista, clerical e fragmentado.

Michael Kohlhaas é a personificação dessa rebelião dos desvalidos, essa construção de um novo homem, impregnado pelo espírito protestante – lendo já a bíblia em alemão – mas com a capacidade de se elevar até em relação à predestinação e retórica luterana, e isso fica bem evidente no encontro e no diálogo com o próprio Martinho Lutero.

Kohlhaas é, acima de tudo, um elogio ao direito natural e principalmente ao uso do direito de rebelião, pertencente ao núcleo do “jus cogens”, contra a tirania e contra a injustiça, mesmo que a reacção possa parecer desproporcional. Uma obra fundamental para todos aqueles que, como eu, são germanófilos.

HAMLET de W. Shakespeare

hamlet“Partiu-se o fio que unia os dias. Como poderia unir os seus fragmentos?”

“Não acredites na luz divina, não acredites na estrela nocturna, não acredites que a verdade está noutro lugar, acredita só no meu amor.”

“Ser ou não ser, eis a questão. Qual a acção mais digna, submeter-se aos golpes do injusto destino ou fazer atrevida resistência, opor os braços a esta torrente de calamidades, dando-lhes um fim? Morrer ou entregar-se ao sonho. E por um sonho, digamos, se acabaram as preocupações, as penas da alma e as inúmeras penúrias próprias do nosso débil corpo? Este é o fim que devíamos pedir com ânsia. Morrer ou entregar-se ao sonho. Dormir ou talvez sonhar? Tenho aqui a resposta. Que sonhos poderão ocorrer no silêncio do sepulcro quando tenhamos abandonado este despojo mortal? Aqui está a explicação. Esta é a consideração que se prolonga a nossa infidelidade por tantos anos. Quem toleraria a falsa linhagem dos magistrados, o descaramento dos fidalgos, o fingimento geral, as angústias de um mal correspondido amor, a transparência dos méritos dos homens mais indignos? Quando é que o que sofre pode procurar a sua quietude só com um punhal? Quem aceitaria tolerar, gemendo, o peso de uma vida incómoda se não fosse pelo temor de que existe algo depois da morte, aquele país desconhecido de cujos limites nenhum caminhante retorna, nos incomoda em dúvidas e nos faz sofrer os males que nos rodeiam antes de irmos procurar outros de que não temos conhecimento certo? Esta previsão torna-nos a todos covardes e debilita-nos de todo o valor com os vernizes pálidos da prudência.”