Categoria: Cinema

DOC.: A Mulher com os 5 Elefantes

la-fem10Die Frau mit den 5 Elefanten, Deutschland, 2009. https://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpg

O leitor está diante de um documentário poderoso sobre a vida e obra de Svetlana Geier (1923-2010), nascida em Kiev, sob o jugo soviético, e que se tornou na grande tradutora para alemão das cinco principais obras de Fiódor Dostoiévski: Crime e Castigo, O Idiota, Os Demónios (Os Possessos), O Adolescente e Os Irmãos Karamazov.

O seu pai foi um preso político nas mãos de Estaline e a sua mãe disse-lhe, certa vez, que estudar alemão era o seu dote.

Svetlana Geier viveu sempre em conformidade com o seu conto favorito: “Emílio, o ingénuo“, um rapaz que pescara um lúcio e, entendendo o que o peixe falava, seguira os seus conselhos, vivendo inúmeras aventuras, chegando inclusive a conquistar a filha de um Czar e a tornar-se, ele mesmo, imperador. A ideia fundamental é seguir os sonhos e escutar essa voz interior que incita à descoberta, sem a preocupação do pensamento alheio ou das convenções, tradições e costumes sociais. A vida é vista, dessa forma, como uma fonte inesgotável de oportunidades.

Enquanto estudante, aprendera com uma professora que a tradução exige sempre um “nariz empinado”, não como uma forma de sobranceria mas como mecanismo de absorção e compreensão, isto é, quem traduz deve tirar os olhos do texto no preciso momento em que traduz. Assim, aceitando o provérbio italiano “Traduttore, traditore“,  a traição será bem menor, fugindo à absurda literalidade.

Este documentário, dos melhores que já vi, está disponível para compra ou aluguer na loja de filmes e músicas da Apple (iTunes).

Hélder Filipe Azevedo, 2018

 

 

Filme: DETROIT (2017)

Detroit_2017DETROIT, Kathryn Bigelow, EUA, 2017. https://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpghttps://i1.wp.com/i.istockimg.com/file_thumbview_approve/18661172/3/stock-photo-18661172-five-pointed-star.jpg

Um dos grandes filmes de 2017. Esta obra cinematográfica de Kathryn Bigelow (00:30 A Hora Mais Negra e Estado de Guerra) é um drama baseado nos trágicos acontecimentos nas ruas de Detroit – a quinta maior cidade norte-americana à época – durante cinco dias, no ano de 1967. Uma história de exclusão social, de violência e de arbitrariedade, que conduz o pensamento a reflectir sobre as injustiças e a imoralidade de uma sociedade onde os direitos civil não são respeitados e onde a autoridade – policial e judicial – actua à margem da legalidade, impunemente.

Estamos perante um filme profundamente pedagógico. Um filme de alguma forma moralizador. E um documento histórico imprescindível para quem quiser compreender um pouco daquilo que foi, e ainda é, a luta dialética de morte que permanece viva no inconsciente coletivo dos Estados Unidos da América.

Nota: 9/10

© Hélder Filipe Azevedo, 29.XII.2017

 

 

FILME: FITZCARRALDO (1982)

FITZCARRALDO. Werner Herzog. Alemanha, Peru. 1982.

Fitzcarraldo é um dos grandes filmes da história do cinema. Realizado por Werner Herzog, numa produção teuto-peruana de 1982, conta com as magníficas interpretações, entre outros, de Klaus Kinski e Claudia Cardinale. A trama segue os sonhos de um europeu caído, qual Adão depois de pecar, num mundo longínquo, na Amazónia, onde, segundo a sabedoria indígena, a criação divina foi  incompleta. Tenta enriquecer, primeiro com os ferrocarris, depois com a produção de gelo, depois ainda com a produção de borracha. Não consegue. Salva-o o amor de uma mulher de honra duvidosa. Num ambiente tão inóspito, tão adverso, onde o poder se impõe pela força bruta e pela riqueza dos grandes industriais, autênticos senhores feudais, este homem, Brian Fitzgerald, mais lívido que uma leitosa manhã invernal, pretende construir um teatro onde, num misto de sonho e de delírio, possa apresentar – ao porco e ao pobre – o admirável tenor italiano Enrico Caruso. 

O filme, uma espécie de parábola à própria vida humana, pode ser concebido como uma “conquista do inútil”, como escreveu posteriormente Herzog. É a ideia de que a arte comanda o mundo onírico e que materializá-la para lá da razão é uma empreitada de desgraça. A Amazónia, esse paraíso objetivado, como acreditaram os primeiros descobridores, não passa, ao ser humano, de um inferno dantesco, cheio de mistério e terror. A extrema beleza verde, tão inebriante como o ópio mais adocicado, é apenas uma armadilha para os insensatos. É como uma esmeralda disponível que deslumbra o sonhador, mas que se transforma em veneno no momento em que se toca. Ou ainda uma ninfa que se esvanece quando se vê, como no mito de Orfeu e Eurídice. Nesta epopeia do mundo moderno, acompanha-o a sua relíquia mais preciosa: o gramofone, tocando as líricas mais imponentes e magestosas nesse instante do tempo em que o homem embate na natureza, forçando a viagem por esse amazonas acima.

O filme foi indicado aos prémios de Cannes, nas categorias de Melhor Filme e Melhor Realizador, que venceu; aos prémios BAFTA e aos Globos de Ouro. Werner Herzog venceu em San Sabastian e nos Prémios de Cinema Alemão, precisamente na categoria de Melhor Realizador.

Nota: Acaba de ser lançado, pela Tinta da China, o diário deste longo e intempestivo labor de Herzog. Um livro de notas da selva que complementa, de forma sublime, este belo e imortal filme.

Hélder Filipe Azevedo, 2017

 

Netflix: Estreia 28.10, “Into the Inferno” de Werner Herzog

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Dia 28.10.2016 estreia na Netflix o documentário “Into the Inferno” de Werner Herzog. Uma viagem por todo o mundo, desde a Indonésia até à Etiópia, em busca dos vulcões e de toda a simbologia que os acompanha. Um documentário que teve uma boa recepção nos festivais de Telluride e Toronto. Os Humboldtianos, como eu, vão ficar fascinados, é certo!

 

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