Bulgária

Herdeira de uma história infeliz – com ocupações severas e sem grandes recursos naturais – a Bulgária consegue a proeza de surpreender o visitante. Atravessadas pelos Balcãs, essas montanhas imponentes e inolvidáveis, o verde dos campos, dos montes e das florestas rivalizam com pequenas lagoas dispersas como diamantes em terra negra. E o céu, onde o azul dialoga, num misto de negação e afirmação, com as luzes rosáceas e as pardacentas. Ao cair da noite, é inesquecível subir as montanhas que circundam Sófia e ver, lá ao longe, no alto, aqueles búlgaros (mais não seja, búlgaros de coração) destemidos a praticar parapente, como quem se dirige, bailando e em orgulho, rumo ao zénite. A Bulgária, dos bosques e das montanhas, é uma pedra preciosa que, felizmente, será facilmente encontrada. Há coisas neste mundo que não podem ficar ocultas. Ao leitor, que seja um explorador dos tempos modernos, eu afirmo: procure e deleite-se nesta viagem ao leste profundo, com raízes num oriente longínquo e desconhecido, num mundo eslavo sofrido mas orgulhoso e, como não podia deixar de ser, também nesse mundo latino que, ainda hoje, nos fascina e enlouquece. Para finalizar, deixo também um alerta: o viajante não se deve deixar intimidar pelo alfabeto dos búlgaros, o cirílico, muito pelo contrário, deve sim apreciar esta forma escrita tão estranha, mas de alguma forma bela, a lembrar o grego antigo. Como alguém já fez constar num pequeno vade mecum: não devemos temer aquilo que desconhecemos, pelo contrário, possamos nós viver para absorver esse mundo tão distinto e ficar incomensuravelmente mais ricos.

MONTES E MOSTEIRO DE RILA

 

 

O Sacro Mosteiro de Rila ergue-se esplendidamente por entre os bosques seculares da montanha, ali onde o ria Dushliavitsa desemboca no rio Rilska, num sítio fortificado e protegido de forma natural pelas altas colinas montanhosas.

O Mosteiro de Rila foi fundado no século X pelo reverendo Frade João de Rila, o guardião dos búlgaros, o santo búlgaro mais respeitado

 

O Sacro Mosteiro de Rila têm uma história milenar e por ser, quase ininterruptamente, sede do poder e da vida monástica, converteu-se num tesouro preservado pela Igreja ortodoxa.

Ao largo da sua vida secular, o mosteiro conheceu períodos de auge e de destruição. Sofreu múltiplos incêndios, foi abaixo mais do que uma vez, mas segue existindo graças à ajuda económica dos piedosos soberanos búlgaros da idade média e dos cristãos ortodoxos durante o ressurgimento búlgaro. No período da presença otomana, o mosteiro gozou de generoso apoio dos czares russos e dos caciques da Moldávia.

 

 

VELIKO-TÂRNOVO

As muralhas fortificadas e as estreitas e pitorescas ruas desta cidade, uma das mais antigas da Bulgária, resumem toda uma história medieval. A sua principal atração é a magnífica fortaleza restaurada de Tsarevets, a cidadela capital do segundo império búlgaro.

A histórica Târnovo está imersa num vale rodeado de esplendorosas colinas e serpenteada pelos espectaculares meandros do rio Yantra. Ruas históricas como Ul Gurko evocam o esplendor do renascimento búlgaro do século XIX. A cidade moderna estende-se a oeste e conta com a segunda universidade mais grande do país, além de albergar uma importante comunidade de estrangeiros.

É um lugar magnífico, que merece que o visitante se hospede por algum tempo.

 

 

SÓFIA

Sófia, a antiga Serdica do império romano, é uma cidade muito bonita e bastante moderna. Aqui, consegue-se conjugar o novo com o velho, harmoniosamente, como por exemplo as ruínas da cidade romana, com mais de 2000 anos, com as estações de metro do século XXI. Sophia, a divindade políade, ergue-se magestática no centro, adornada pela coroa da glória e pela coruja de Minerva, o símbolo da sabedoria.

E as inúmeras igrejas ortodoxas que convivem lado a lado com igrejas católicas, a enorme sinagoga judaica e a não menos grande mesquita muçulmana. Todos juntos, no mesmo quarteirão, simbolizam o espírito da tolerância.

Dos locais mais emblemáticos, o visitante não deve perder a Igreja de Sveta Sophia, a Catedral Alexandre Nevski, a Grande Sinanoga de Sófia, a maior sefardita da Europa, o Complexo da Antiga Sérdica e a Igreja Russa de Sveti Nikolai.

 

 

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