Meine Liebe Chimborazo: 25.05.2019

Manhã quente e solarenga neste ocaso do mês de maio de 2019. Uma natureza luminosa se levanta atrás de mim, cheia de cores torridas e sons estonteantes. É o prenúncio do verão. Esperam-me grandes aventuras. Que a sorte nos acompanhe.

Subi de manhã, pelas 10 horas. Uma hora depois estava lá em cima, no teto do meu mundo. Deitei-me e deleitei-me nesse imenso e onírico campo de trigo e centeio e por momento pareceu-me que Diana e a sua corça passaram por mim. Lá em cima, mesmo por baixo do sol, dançava num místico ritual um magnífico milhafre real.

Permiti-me sonhar que subia o Chimborazo. Aguardo mais dias assim, verdes, quentes e luminosos, cheios de luz, de cor e de sons inefáveis, que só a mim me é dado conhecer. É um presente dos deuses antigos, aqueles a quem o homem moderno se permitiu esquecer.

São Martinho do Vale. Sábado, 25 de Maio de 2019.

LIVRO DA SEMANA

Livro da Semana: As Boas Mães, de Alex Perry

PODCAST: Estrela do Minho

www.spreaker.com/user/10974279

Novo meio de comunicação. Vou apresentar um podcast semanalmente. Com conteúdos interessantes, como recomendação de livros, filmes, séries, músicas, viagens, etc. Espero por vocês.

O saber dos antigos

Dióspiro, o fogo dos deuses.

É um facto. O dióspiro é o meu fruto predilecto. E é muito curiosa a palavra Dióspiro. É uma palavra composta por dois étimos gregos: dios (Διος), que significa deus, e a palavra pyros (Πυρος), que significa fogo (de onde derivaram as palavras portuguesas pirómano ou pirotecnia). Então, o Dióspiro é o fogo de Deus ou o fogo dos deuses. Essa referência talvez provenha da própria cor do fruto, um laranja avermelhado, como aquele sol que se põe numa noite quente de verão, e como se fosse moldado na lava, no interior de um vulcão, com as suas diversas tonalidades de fogo. E o seu néctar de sabor adocicado que nos escorre pelos lábios e se cola à pele deixando um aroma leve, de outro mundo, uma marca que nos eleva e nos transporta ao divino…! Talvez, quem sabe, esse fogo roubado a Héstia, pelo titã Prometeu, não fora mais do que um dióspiro, o doce e quente alimento de Zeus, que encerra em si mesmo, e no seu nome, todo um mistério.

Fotografias de um diospireiro tiradas hoje, 14.XII.2018, em VN Famalicão.

Ode XXX, Horácio

Um dos mais belos poemas de Horácio.

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XXX

Erigi um monumento mais duradouro que o bronze,

mais alto do que a régia construção das pirâmides

que nem a voraz chuva, nem o impetuoso Áquilo

nem a inumerável série dos anos,

nem a fuga do tempo poderão destruir.

Nem tudo de mim morrerá, de mim grande parte

escapará a Libitina: jovem para sempre crescerei

no louvor dos vindouros, enquanto o pontífice

com a tácita virgem subir ao Capitólio.

Dir-se-á de mim, onde o violento Áufido brama,

onde Dauno pobre em água sobre rústicos povos reinou,

que de origem humilde me tornei poderoso,

o primeiro a trazer o canto eólio aos metros itálicos.

Assume o orgulho que o mérito conquistou

e benévola cinge meus cabelos,

Melpómene, com o délfico louro.

Horácio, Odes III.30

A Revolução Silenciosa

Das Schweigende Klassenzimmer. Deutschland, Lars Kraume, 2018. 

Depois do incrível Fritz Bauer, um filme biográfico sobre um heróico procurador alemão no período pós-guerra, A Revolução Silenciosa é o novo grande filme de Lars Kraume. Um história que decorre na antiga RDA sobre um grupo de jovens estudantes, na casa dos 18 anos, que, solidários com as vítimas da repressão soviética durante a revolução húngara, decidem fazer dois minutos de silêncio no início de uma aula. A partir desse momento insurrecto, passam a tomar consciência de que são livres pensadores e transformam-se , involuntariamente, em inimigos do estado.

Numa sucessão de acontecimentos surreais, dignos dos estados totalitários, os jovens estudantes deparam-se com um mundo de ilusão e mentira que ameaça, não apenas o seu futuro político e profissional, mas toda a sua vida, desde as relações familiares até às relações sociais e emocionais. Nada escapa ao poder coercivo e punitivo de um estado paranóico.

O filme é uma excelente oportunidade para o leitor retornar, em espírito, a esse tempo maldito onde pensar era crime, um tempo hipócrita e sufocante que nos ajuda também a valorizar a democracia e, mais especificamente, a liberdade de expressão. Não nos esqueçamos que também os portugueses souberam o que era a censura. A título de exemplo, vale sempre a pena lembrar que a Amnistia Internacional foi criada em Inglaterra como homenagem a estudantes portugueses que foram presos em Coimbra por manifestar o seu pensamento.

Apreciem devidamente este que é um dos grandes filmes europeus do ano. Nota 9 (0-10).

A CASA DOS PENSADORES

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Publicación humanista de referencia en español. “No hay escapatoria / a lo vacío y atemporal” (Hannah Arendt).

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